“Eu nem sou de praia”, mas gosto de apanhar um bom sol quando está calor. “Eu nem sou de Pop”, mas não dispenso uns ABBA para desenjoar dos meus gostos musicais pretensiosos. “Eu nem sou de futebol”, mas não falho um jogo da seleção. Isto para dizer: “Eu nem sou de motas”, mas já não perco um Rider.

O Museu do Caramulo é reconhecido na comunidade de clássicos por três grandes razões: Pela relevância histórica do edifício e das suas exposições temporárias e permanentes; Pelo MotorClássico na FIL em Lisboa em Abril, e pelo Caramulo Motorfestival em Setembro. Mas existe uma 4ª razão que acredito que nunca tenha ouvido falar. Um passeio de endurance para motas com um mínimo de 30 anos, pelas estradas mais bonitas do centro de Portugal. Um fim de semana com uma organização que não se poupa em tudo do melhor que a região centro tem para oferecer.

Como qualquer boa ideia, o “Rider - Passeio de motos clássicas” teve a sua génese num ajuntamento informal organizado por um trio de amigos, com rumo a lugar nenhum, mas com o critério que o caminho tinha que ser bom. Nove anos depois, podemos contar 64 motas nas inscrições, apenas menos seis que no ano recordista de 2019. Um feito inacreditável, face às circunstâncias totalmente díspares entre os dois anos e ao facto de, dada a pandemia ter fechado as fronteiras, todos os participantes espanhóis não conseguiram vir este ano. Aos três fundadores, juntam-se agora regularmente “riders” de vários países da Europa, que se deslocam a Portugal propositadamente para este passeio. Porque não resistem às nossas estradas, à paisagem, à gastronomia portuguesa, ou mais provavelmente, todas em simultâneo, tendo como bónus o valor da inscrição ser baixíssimo para a qualidade.

Seguindo a assinatura dos eventos da casa, o Rider consegue um balanço perfeito entre familiaridade e ambição. Entre os participantes, em 2020 destacam-se algumas personalidades por razões completamente distintas, mas que vêm trazer ao evento uma visibilidade e credibilidade invejáveis: Do lado desportivo, Francisco Sande e Castro dispensa apresentações. Com as suas duas participações no Rally Paris-Dakar, é já uma cara conhecida dos eventos no Caramulo. Do lado social, o artista e entusiasta das motas, José Fidalgo, reconhecido generalizadamente por toda a população portuguesa como aquele entérprete sexy das novelas. Representando a Yamaha, Luís Figueiredo manteve um sorriso rasgado durante todo o evento, sempre acompanhado de perto Manuel Portugal, reconhecido fotógrafo e empreendedor do meio, e um ídolo pessoal que tive a chance de conhecer pessoalmente. Estas referências não são ao acaso. São a prova que o Rider é um evento com uma credibilidade crescente, e cuja relação próxima com as marcas é um exemplo a seguir.

A caminho da 10ª edição, o Rider quis usar esta nona edição para testar a implementação de várias ideias novas: Reformulou completamente o Branding, associou-se a marcas do grupo léxico das motos como a RUA ou a Mariano Shoes. Reforçou o grupo de assistência e catering, e houve pela primeira vez, para meu conforto inclusivé, um carro oficial de media cedido em parceria com a Guerin, outro dos patrocínios do evento. O feliz contemplado para a tarefa herculana foi um Renault Scenic, que depois das provas dadas deste fim de semana, não terá problemas em garantir homologação e entrada directa no próximo Rally de Portugal. A equipa de media consistiu em quatro ilustres personalidades: João Lacerda e Salvador Patrício Gouveia do Museu do Caramulo, nas qualidades de “stunt driver” e de disk jockey, respectivamente. Na mala seguiu uma equipa de carecas designers, fotógrafos e videografos: Eu e o Bruno Pereira, cara conhecida destas andanças e um dos maiores dadores de sangue em Portugal. Ninguém quer saber, mas ele faz questão de relembrar.

O alinhamento de participantes contou com uma larga variedade de modelos, desde a clássica Vespa a motos de competição, incluindo mesmo uma histórica Harley-Davidson WL de 1946, que outrora pertenceu à antiga Polícia de Viação e Trânsito, munida ainda da sua sirene original.

O roteiro incluiu passagens pelo Piódão, Beira Baixa e Caramulo, e teve como pontos altos a visita exclusiva à colecção de José Megre, o piloto todo-o-terreno e o primeiro português a organizar uma equipa para participar no Paris-Dakar em jipes UMM, e a visita às reservas e às oficinas do Museu do Caramulo, que se encontram numa área reservada e fora do alcance do público e guardam dezenas de automóveis e motociclos da colecção do museu que não se encontram em exposição.


Enquanto o Museu do Caramulo já está a organizar o 10º aniversário do Rider, no fim-de-semana de 11 a 13 de Junho de 2021, tratem de colocar a mota clássica lá de casa a trabalhar, ou comprem uma, se a vossa mãe deixar. Vai ser imperdível, e quem o diz sou eu, e “eu nem sou de motas.”